Código de trânsito e os ciclistas

Código de trânsito e os ciclistas

Em abril deste ano, entrou em vigor a Lei 14071/20, que altera o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Entre as mudanças, o motorista que deixar de reduzir a velocidade ao ultrapassar um ciclista estará cometendo infração gravíssima (com multa de R$293,47). No entanto, apesar dos avanços na legislação, a segurança no trânsito brasileiro segue derrapando em dois fatores fundamentais para o sucesso do Código: campanhas de educação e maior fiscalização.

Aliás, a inclusão das bikes no CTB é relativamente recente, tendo ocorrido a partir da legislação de 1998. Foi aquele, assim, o primeiro código de trânsito a reconhecer a bicicleta enquanto veículo. À época, um grupo de cicloativistas pedalou mais de 1500 km, de Paraty-RJ a Brasília-DF, em apoio ao novo Código.

Quer saber mais sobre essa história? Assista ao documentário Bicicleta Brasil – Pedalar é um Direito. O filme é rico em depoimentos e imagens do movimento de ciclistas que, há mais de 20 anos, girou por estradas do país, em prol do reconhecimento legal das bikes no nosso trânsito.

Direitos e deveres dos ciclistas: o que diz a lei?

A legislação de trânsito define a bicicleta como “veículo de propulsão humana, dotado de duas rodas, não sendo” para efeito do Código, “similar à motocicleta, motoneta e ciclomotor”. Segundo o Art. 21 do CTB, é dever da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, “planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”.

Já o Art. 29 estabelece que “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres.”

E o Art. 38 trata de um dos maiores riscos ao ciclista no trânsito: ser “fechado” por um veículo automotor. A legislação diz que, durante uma manobra de mudança de direção – ou seja, quando o motorista for virar para a esquerda ou direita -, “o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, […], respeitadas as normas de preferência de passagem”.   

Você pode conferir outros pontos importantes da legislação, em relação ao ciclista, numa cartilha digital preparada pelo Ministério  da Infraestrutura. O material é simples, curto e esclarecedor. Baixe a cartilha Orientações aos Ciclistas e fique por dentro de seus direitos e deveres ao pedalar no trânsito.

Ciclista no trânsito: observações legais e gerais

Guiados pela legislação, separamos outros destaques que você deve lembrar quando estiver encarando o trânsito com sua bike:

Dicas para ciclistas no trânsito. Imagem: Gihane Scaravonatti.

Saiba mais acerca do que diz a legislação de trânsito sobre os direitos e deveres dos ciclistas.

Qual país tem mais bicicletas?

Qual país tem mais bicicletas?

E aí, algum palpite?! Segundo reportagem da Revista Superinteressante, o país com mais bicicletas no mundo é a Alemanha: são mais de 72 milhões delas, o que equivale a 87% da população do país (que é de cerca de 82 milhões de pessoas). Na sequência, viriam Japão, Tailândia e Polônia.

A Alemanha, aliás, é tida como o local de nascimento da bicicleta, quando, em 1817, o barão Karl von Drais criou o que ele chamou de “máquina corredora” (em alemão, laufmaschine).

Ilustração de Karl von Drais com sua invenção, precursora da bicicleta (Imagem: Getty Images)

O veículo era feito de madeira e se movimentava pelo impulso dos pés. O barão queria desenvolver um meio de transporte que fosse mais barato e de manutenção mais fácil do que o uso de cavalos.

Cidades mais amigáveis aos ciclistas

Quando falamos, no entanto, sobre as cidades mais amigáveis aos ciclistas – que envolvem, por exemplo, políticas de incentivo e as melhores estruturas para se pedalar -, são cidades na Dinamarca (Copenhague), Holanda (Amsterdã e Utrecht), Bélgica (Antuérpia) e França (Estrasburgo) que ocupam, respectivamente, as cinco primeiras posições.

O ranking vem sendo organizado desde 2011, pela Copenhagenize Index. A publicação é bienal e considera fatores que vão além do número de bicicletas e ciclovias: leva-se em conta a educação no trânsito com os ciclistas, políticas públicas de incentivo e melhorias para o uso desse transporte saudável e sustentável, entre outros.

Para além do Strava: cinco outros aplicativos muito úteis aos ciclistas

Para além do Strava: cinco outros aplicativos muito úteis aos ciclistas

Claro que você não precisa de nenhum aplicativo (app) pra pegar sua bicicleta e sair livre, leve e solto por aí. Mas, a tecnologia está à disposição de todos nós e, no caso do pedal, há uma série de ferramentas digitais que podem até mesmo facilitar a vida do ciclista ou socorrê-lo em situações corriqueiras.

Entre os inúmeros softwares úteis ao pedal, sabemos que o Strava é o campeão na preferência de muitos praticantes da atividade ciclística – e, portanto, já bastante conhecido quanto às vantagens que proporciona. Por isso, selecionamos outros cinco apps, para fins diversos e que, talvez, você ainda não tenha experimentado:

  • Bike Map: acesse milhões de rotas para pedalar, no mundo, por meio deste app – sim, sem nenhum exagero, são mais de seis milhões de possibilidades pra se aventurar de bicicleta, distribuídas por cerca de uma centena de países! Trata-se de uma ferramenta construída de forma colaborativa, em que os próprios ciclistas vão inserindo trajetos e dados relacionados. O aplicativo informa, por exemplo, obstáculos pelo caminho – buracos, trechos de tráfego mais perigoso, construções, interdições – e pontos de serviços e pouso (oficinas, banheiros públicos, shoppings, bancos etc). Comandos acionados também por voz e funções sem necessidade de Internet estão entre as várias outras ofertas desse aplicativo, que é a maior coleção de roteiros ciclísticos do planeta!
  • Komoot: e falando em ciclo aventura, eis um aplicativo bastante queridinho entre vários amantes do cicloturismo. Além de também mapear rotas, o Komoot possui um sistema de acompanhamento altimétrico, junto ao GPS do ciclista, que é bastante elogiado. O app também fornece informações sobre o trajeto – se você vai encontrar asfalto ou terra pela frente, por exemplo – e mostra até mesmo rotas desconhecidas por outros aplicativos. Entre essas, estão trilhas para os adeptos do maravilhoso estilo bikepacking de viajar em bicicleta. 
  • Bike Registrada: quem nunca ouviu falar de alguém que teve sua bicicleta roubada e deu ela por perdida? Sim, porque, mesmo que se registre boletim de ocorrência na delegacia, a gente sabe que, embora a esperança seja a última a morrer, é praticamente um milagre reaver uma bike roubada. Na ferramenta, você insere os dados da sua bicicleta, que podem, por exemplo, ser consultados por outros ciclistas, pela equipe da polícia etc. No caso de ter sua bicicleta roubada, o app emite inclusive um alerta de roubo para os demais usuários do sistema. O software, num todo, possui uma variedade de funções interessantes pra proteger seu patrimônio de duas rodas: vale a pena conhecer!
  •  Bike Repair: como o próprio nome já dá a pista, este app traz informações úteis para o reparo – no melhor estilo “faça você mesmo” – das magrelinhas. Com instruções detalhadas e ricamente ilustradas por fotos, a ferramenta pode ser uma mão na roda num momento de apuro com sua bike, quando não houver nenhum profissional ou pessoa mais experiente, por perto, pra lhe acudir. Entre as demais funcionalidades, o app traz, também, um bom glossário pra você conhecer mais sobre as peças. No geral, é um software super válido pra você se familiarizar melhor com os componentes e funcionamento da sua bicicleta.
  • Bike Tire Pressure Calculator: sim, coisa simples: trata-se de um app que lhe ajuda a calcular a medida ideal de calibragem dos pneus da sua bike. Porque pneus com a calibragem certa – nem muito altos ou baixos – lhe trazem conforto, desempenho, mas, sobretudo, segurança. Um pneu estourando repentinamente, por exemplo, seja você acelerando em meio a uma trilha ou numa rodovia, pode ocasionar uma fatalidade, inclusive. Por meio de informações como peso do ciclista e da bicicleta, tamanho dos aros e pneus, o app calcula a medida ideal de pressão, em bar ou psi.

Enfim, são muitos os aplicativos que podem contribuir pra que você tenha uma experiência ainda mais prazerosa e segura no ciclismo. Traremos mais, em outros artigos. Caso você também tenha uma dica de app, partilhe aqui, nos comentários, para os demais amigos e amigas da comunidade Superando Limites!

Que tal relaxar do pedal com um bom livro sobre… Pedal?

Que tal relaxar do pedal com um bom livro sobre… Pedal?

Confira nossa dica de livro (online e gratuito)

“O Brasil que Pedala: a cultura da bicicleta nas cidades pequenas” é um livro lançado, em 2019, pela União de Ciclistas do Brasil, em parceria com a Aliança Bike. Fruto de pesquisa apurada, a obra apresenta 11 pequenas cidades brasileiras em que a cultura da bicicleta é forte entre seus habitantes. O livro – de diagramação bastante agradável e repleto de informações e dados curiosos sobre os ciclistas dos municípios pesquisados – pode ser baixado, gratuitamente, aqui.

As localidades escolhidas contemplam as cinco regiões brasileiras. Segundo os organizadores da edição, André Soares e Daniel Guth, o livro aborda a cultura da mobilidade sustentável por meio da bike, que ainda resiste em muitas cidades pequenas. “Também pretendemos prestar uma homenagem às cidades menores, usuárias da bicicleta, e a seus habitantes, e publicamente declarar o valor da cultura que preservam”, destacam.

Abaixo, você confere as 11 cidades que têm o “pedal na veia” (e os respectivos nomes dos capítulos na obra):

  1. Afuá (PA) – A cidade das bicicletas sobre as águas
  2. Antonina (PR) – De bicicleta todo dia
  3. Cáceres (MT) – A capital nacional do ciclista
  4. Gurupi (TO) – A capital da amizade quer pedalar
  5. Ilha Solteira (SP) – Da hidrelétrica à propulsão humana
  6. Mambaí (GO) – O pedal é logo ali: cicloturismo e a (in)visibilidade de quem pedala
  7. Pedro Leopoldo (MG) – A resistência da mobilidade por bicicleta na motorizada Região Metropolitana de Belo Horizonte
  8. Pomerode (SC) – Do cicloturismo ao cotidiano
  9. São Fidélis (RJ) – Uma cidade sem semáforos
  10. Tamandaré (PE) – Na onda da bicicleta
  11. Tarauacá (AC) – Cidade amazônica das bicicletas e a terra do abacaxi gigante

E aí, conhece alguma dessas cidades? Bora dar um giro pelas páginas de “O Brasil que pedala” e conhecer mais sobre quem perpetua o amor pela bicicleta como um modelo simples, inteligente e saudável de transporte.

Como se hidratar de forma correta na hora de pedalar

Como se hidratar de forma correta na hora de pedalar

“Bebeu água? Não! / Tá com sede? Tô!” Olha, olha a água mineral, galera! Beber água potável e fresquinha é fundamental para um bom desempenho no pedal. Num país de altas temperaturas como o Brasil, cuidar da hidratação na hora de sair por aí com sua bicicleta não é escolha: é regra. Mas, sabia que a hidratação deve começar antes mesmo de você e sua bicicleta colocarem as caras na rua?

Antes de sair de casa:

Cerca de duas horas antes de sair para pedalar, beba de 300 a 500 ml de água. Isso já te garante uma boa hidratação para a primeira meia hora de exercício, e sem te trazer desconforto. Outros líquidos, como sucos, chás, leite e café, também podem entrar na conta.

Durante o pedal:

Além da água – que você pode transportar em garrafas ou mochilas de hidratação -, uma bebida isotônica (os “gatorades” da vida) pode ser um complemento quando o pedal for de longa duração (acima de 90 minutos) ou de alta intensidade, por exemplo. Mas, atenção: ele não substitui a boa e velha água, ok? As duas bebidas podem ser aliadas. O importante é que você não espere a sede chegar para se hidratar: ao menos de meia em meia hora, tome pequenos goles de água (excesso de água pode “dar ruim”), e do começo ao fim do pedal. Isso te evitará, inclusive, uma fadiga muscular no meio do percurso.

Já em casa

Os cuidados com a hidratação continuam: seus músculos vão clamar por água para poderem melhor se recuperar. Beber até dois litros de água, divididos nas duas horas seguintes ao pedal, vai deixar sua musculatura satisfeita e pronta pra superar o próximo desafio ciclístico com você.

Quantas ciclovias têm no Brasil?

Quantas ciclovias têm no Brasil?

Tá aí uma pergunta que muitos ciclistas, ativistas e gestores se fazem, mas, sem encontrar uma resposta certeira. O que acontece é que, em se tratando dos quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas do país, nem mesmo a Secretaria Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos (Semob) reúne todos os dados ainda. Assim, num esforço inédito, a União de Ciclistas do Brasil (UCB) e o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) vêm elaborando, de forma virtual e colaborativa, o chamado Ciclomapa.

O Ciclomapa é uma maravilha interativa! Construído por meio da plataforma OpenStreetMap – uma das referências mundiais na elaboração de mapas online abertos -, o recurso oferece um bom panorama das infraestruturas ciclísticas brasileiras. Conforme novas faixas e rotas surgem no Brasil, estas vão sendo atualizadas no mapa.

Segundo os idealizadores do projeto, a ideia é que o sistema de inserção de dados seja acessível a todas as pessoas. Pra isso, a equipe preparou tutoriais que explicam a forma correta de colaborar. Futuramente, os dados passarão a ser integrados à plataforma MobiliDados, permitindo o cruzamento de informações. 

E como consultar o Ciclomapa?

  • Acesse o site ciclomapa.org.br
  • Selecione a localidade (município e Estado) que deseja consultar
  • Pronto! O sistema imediatamente lhe mostrará o mapa cicloviário do local escolhido, incluindo não só ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas como, também, trilhas e calçadas compartilhadas, bicicletários, oficinas de bicicletas e outras informações.

Aprecie este giro virtual pelas localidades brasileiras e, quem sabe, até mesmo se torne um colaborador! As informações para isso estão na página do Ciclomapa.